sábado, 27 de junho de 2009

O Toque de Midas



(Para ler a sinopse, clique sobre a imagem)



Críticas da Imprensa:

«Se tem assuntos por resolver, resolva-os. Se tem crianças, ponha-as na avó. Se tem a sopa ao lume, apague-o. É que este é daqueles livros que levam tudo atrás: uma vez que o comece, não irá conseguir deixar de o ler.» - Activa

«Uma história muito bem conseguida, colorida, acerca de personagens e lugares também eles bastante coloridos. O Toque de Midas é Colleen McCullough no seu melhor.» - Kirkus Reviews



A Minha Opinião:

Uma obra-prima, sem dúvida, soberba! São 500 páginas, mas que se lê deliciosamente, como que a saborear um gelado verdadeiro num dia quente de Verão!

A história decorre no século XIX desde a Escócia à Austrália. Gira em torno de Alexander, um bastardo de origem escocesa que foge da sua terra natal (Kinross) aos 15 anos de idade. Testemunhamos as suas aventuras, aprendizagens e descobertas, até se tornar num homem poderosamente rico. Alexander tinha um “faro” para o ouro, ou seja, "cheirava" o ouro, era assim chamado “O Toque de Midas”, daí o título do livro! E depois testemunhamos a sua vida de casado, de amante, de pai, de empresário...

O que torna o livro fabuloso, é a forma como a história está contada, faz com que nos sintamos dentro da história que até cheiramos o ouro, vemos a cidade do Alexander a crescer até se prosperar com o aparecimento da electricidade e outras invenções, ficamos a saber mais sobre as colónias, a politica e a religião daquele tempo, e ainda mais interessante a luta das mulheres com grande cérebro para exercer as mesmas funções que os homens! Na verdade, detesto politica mas a escrita da autora, límpida e clara, fez-me prender em relação a este tema, fez-me ficar com uma perspectiva diferente acerca da politica que chegou a suscitar-me vários pensamentos.
Há várias personagens que são tão variadas e ricas de personalidade! A família Kinross: Alexander e a sua esposa Elizabeth e as duas filhas (uma sobredotada e uma deficiente mental). A amante de Alexander, a Ruby e o filho desta - Lee. Os criados chineses e entre outras personagens. Há todos os ingredientes que tornam a história extremamente emocionante: amor, paixão, infidelidade, traição, amizade, tristeza, alegria, dificuldades, dúvidas, luta.... O final é muito surpreendente, um chocante clímax!

Para finalizar, é realmente uma história épica imperdível! Teria adorado de a ver transformada em série televisiva com vários episódios, como fizeram com "Passáros Feridos" escrito por esta autora (este não cheguei a ler - talvez mais tarde - mas lembro-me de ter adorado a série com o actor Richard Chamberlain que fez de padre, uma interpretação espantosa!).

Este livro é definitivamente o melhor que já li deste ano! Uma excelente compra da Feira do Livro que paguei por metade do preço, pois era "livro do dia"!

Classificação: 5/5 (Excelente!)


Outras Opiniões:

Aqui (do blog planetamarcia)

domingo, 14 de junho de 2009

Clube das Investigadoras - Primeira a Morrer




A Minha Opinião:

Bem, o que dizer acerca deste livro? Por um lado, gostei. E por outro, desiludiu-me.

De facto, é um bom thriller. Tem um ritmo bastante rápido e, além disto, apesar de a escrita ser demasiadamente leve, fez-me agarrar desde o inicio até ao fim. E as peças a serem encaixadas ao longo do livro até começarem a fazer sentido, é a melhor parte do livro, sendo o final algo surpreendente.

Mas, quanto ao clube das investigadoras, achei a formação deste grupo bem fraquinho. Estava à espera de mais… Que fosse um grupo especial de mulheres verdadeiras. Não quer dizer que não gostei da Lindsay, Claire, Cindy e Jill, mas que não me fizeram aproximar que é como se diz quando as personagens nos cativam ou nos tocam de tal forma profunda. Achei-as como meras personagens. Como se fossem protagonistas de uma série televisiva em vez de verdadeiras protagonistas de um livro.

De resto, gostei de o experimentar e irei certamente ler mais livros desta série (quantos livros serão?!).

Classificação: 3/5 (razoável)


Outras Opiniões:

Aqui #1 do blog bibliomigalhas - Muito obrigada pelo empréstimo! :)*
Aqui #2 do blog planetamarcia

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Casa Aberta





Sinopse:

Neste magnífico romance, uma mulher refaz a sua vida após o divórcio, abrindo a sua casa e o seu coração.
Abandonada pelo marido, Samantha assume a tarefa de reconstruir uma vida para si e para o seu filho de 11 anos. A mãe, à sua maneira excêntrica, tenta ajudá-la arranjando-lhe pretendentes, mas o problema mais urgente é financeiro. Para pagar a hipoteca da casa, Samantha resolve aceitar hóspedes. A primeira é uma mulher de idade e de bom conselho, que lhe dá o apoio de que tanto precisava; já da segunda, uma estudante malcontente, não se pode dizer que seja uma ajuda. King, um novo amigo pouco convencional, sugere a Samantha que saia de casa, olhe à sua volta, trabalhe. Mas o mais difícil de tudo é que para se libertar do desgosto e do passado ela vai ter de aprender a construir a sua própria felicidade. Para entender os outros, vai ter de consultar o seu próprio coração. E para saber quem é, vai ter de recordar – e recuperar -- a mulher autêntica que tinha sido, até se tornar outra pessoa para tentar salvar o seu casamento. Casa Aberta é uma história de amor sobre os sentimentos que podem despontar entre um homem e uma mulher, e também na alma duma mulher.



A Minha Opinião:

É um livro que se situa a mil léguas de ser considerado como uma obra de literatura, mas teve algum impacto em mim. Gostei de o ler.

Achei a história uma suportável companhia, na qual me identifiquei, sobretudo na solidão da personagem principal e gostei da sua luta para construir a felicidade própria. Também foi bom que esta tivesse aberto a casa a pessoas estranhas, nesse caso, os hóspedes.

E ainda mais, encontrei umas pitadas de humor negro que me deu sonoras gargalhadas. Situações que são para chorar mas que as achei terrivelmente cómicas. Bem precisava disto de rir das coisas tristes ou patéticas.

Esta é uma história para quem gosta de escutar os desabafos como se a personagem principal fosse uma amiga sua muito próxima, pois o livro está contado de uma forma como se tratasse de um diário confidencial e também é para quem necessita de voltar a acreditar no amor. Mas sobretudo, aprender a gostar de si própria e a ser-se feliz sozinha. O melhor só vem a seguir, quando a pessoa está bem consigo mesma e que sabe o que quer. Uma filosofia tão óbvia de que toda a gente tem conhecimento, sem dúvida. Mas, devo confessar, que já li melhores livros, mais deliciosos ou mais doces, profundos e inesquecíveis, do que este livro.

Se os leitores já estão felizes, então é um livro para riscar ou dispensar, porque é uma história comum e previsível, nada a ganhar. Mas se gostam de novelas ou histórias de tipo light / coscuvilhices, este é o ideal.

Classificação: 3/5

sábado, 30 de maio de 2009

Beleza Silenciosa




A Minha Opinião:

Este livro trata-se de uma biografia da Brenda Costa, uma Modelo de origem brasileira. Mas, trata-se de uma biografia especial... Esta Brenda Costa tem uma coisa que a distingue de todas as manequins: é surda profunda de nascença (tal como eu).

Portanto, é uma história sobre a luta e a coragem desta rapariga para alcançar o que desde sempre sonhou: ser Modelo.

Confesso que não tenho nenhuma admiração por esta profissão. Mas, no caso da Brenda Costa, para conseguir o seu objectivo, foi uma grande luta! No mundo da moda também existe preconceito e ignorância, a maioria das agências de moda não queria aceitar uma modelo surda. Ela conseguiu-o graças a um director de uma agência que tinha um filho surdo. A sorte esteve sempre com ela.

Aqui deixo o excerto do livro, na página 164, para terem uma ideia do quanto ela sofreu e também tocou-me profundamente:

«Todos os anos, no mês de Junho, decorre no Rio a famosa Rio Fashion Week, a semana da moda. Nesta ocasião, massacro Marco noite e dia para participar no grande casting que decorre uma semana antes do acontecimento. No entanto, apesar da insistência do meu noivo e do entusiasmo geral da minha agência, o booker responsável pela contratação de todos os manequins duvida da minha capacidade de poder desenrascar-se num evento desta envergadura. Considera-me muito bela, mas a minha surdez deixa-o perplexo. Saberei dominar a minha deficiência numa passerelle? Silvinha, a produtora do espectáculo, apoia-me sem reserva e impõe-me contra a vontade do director de casting.
Eis-nos, então, no backstage (bastidores), no grande dia... Estou nas mãos dos cabeleireiros, maquilhadores e das pessoas que vestem os manequins quando vejo o booker entrar nos bastidores. Quando ele se apercebe da minha presença, o seu rosto muda de cor. Fica lívido e começa a gritar, chamando à parte todo o pessoal presente, incluindo a equipa da agência:
- Que faz esta rapariga aqui? Eu já tinha dito que não a queria. Eu sou um profissional! Não tenho tempo para perder com uma deficiente. Como é que vamos conseguir explicar-lhe o que tem de fazer?
Não se dirige a mim, mas o movimento dos seus lábios é mais do que eloquente. Ele está fora de si e tem o rosto desfigurado pela cólera. O camarim está cheio de manequins e, como sempre, as pessoas dividem-se em dois clãs: o que é "a favor" e o que é "contra". Algumas raparigas troçam abertamente de mim, outras estão sinceramente chocadas. Não aguentando mais, levanto-me e fujo, lavada em lágrimas. Silvinha, a produtora que me apoiou, ultrajada com a atitude do booker, precipita-se atrás de mim. Dirigimo-nos para a "saída dos artistas" e encontramo-nos lá fora.
- Não te preocupes, Brenda, eu estou do teu lado e tenho a certeza de que vais sair-te muito bem.
Mas, pela primeira vez na minha curta carreira, duvido. Vejo tudo negro e esta rejeição brutal coloca todos os meus sonhos em questão.
-Não quero trabalhar mais nisto, é demasiado injusto. Isto mete-me nojo...
Silvinha tenta acalmar-me, mas em vão. Estou repugnada, profundamente abatida. Esta rejeição brutal, que não se compara a qualquer coisa que senti até ao dia de hoje, coloca tudo em causa. Sem me preocupar com a maquilhagem e os cabelos, soluço e denigro-me. Esta audodestruição está de tal forma distante da minha filosofia de vida que me sinto verdadeiramente em perigo, como se tivesse sido esmagada pelo julgamento cruel de um homem que vê em mim apenas o estereótipo de uma pessoa surda. A minha surdez recambia-me para um gueto de pestíferos. Este tipo acaba de pronunciar a condenação do meu sonho como se pronuncia uma condenação à morte. Sou surda, por isso só posso existir nos limites convencionados de uma vida convencionada.
É neste contexto horrível que a minha mãe, que se tinha instalado na sala, aparece junto de mim, alertada por membros da equipa. Além disto, alguns manequins já me vieram a dizer que aquele tipo era um "idiota" e que eu não podia entrar no seu jogo.
Entre dois soluços, peço à minha mãe para telefonar a Marco e dizer-lhe que não vale a pena vir com o seu material, porque eu decidi não desfilar.
Nesses momentos, nos momentos em que ninguém consegue acalmar-me enquanto eu não passo de uma pequena personagem desordenada, só gritos e gestos exagerados, a minha mãe possui o dom mágico de me trazer de volta ao planeta Terra. Seca-me as lágrimas.
- Tu vais desfilar, Brenda!»


Apesar da simplicidade, gostei do seu estilo de escrita. Ela não só fala da surdez como também dos seus pais, da sua personalidade, da sua vida amorosa.

A forma como ela descreve a surdez faz parecer que é fácil ser-se surda. Mas devo reconhecer que para ela tem sido mais fácil encará-la, pelo facto de possuir duas qualidades: beleza e é extrovertida. Por isso, ela viveu sempre rodeada de amigos, sem se queixar das suas limitações ou da impossibilidade de incluir numa conversa colectiva; tem divertido com a maior descontracção nas noitadas em grupo.

Achei fantástica a sua luta, mas não tem comparação nenhuma com a minha. A dela exigiu o dobro do seu esforço normal, ao passo que a minha exigiu o quíntuplo do meu esforço para conseguir “um lugar” no mundo ouvinte.

Infelizmente, todos os surdos sofrem as mesmas maldades da sociedade e em todas as profissões.

Este livro não foi ao encontro das minhas expectativas, pois temos diferenças muito grandes, em todos os níveis: familiar, pessoal e profissional. Mas tive prazer de o ler, de conhecer esta Brenda Costa, por um único senão: o facto de ela ser oralista e não gestualista.

Classificação: 3/5